A Guerrilha do Vale do Ribeira, localizada no interior de São Paulo é um dos episódios mais representativos da história política recente do país, talvez também, um dos mais desconhecidos da sociedade brasileira, e não diferentemente para as sociedades locais. A repressão militar, no inicio dos anos 70, os ‘anos de chumbo’, período de vigência de uma ditadura civil-militar (1964-1985), legou uma trágica herança histórica e um forte processo de silenciamento promovido pelo Estado e seus agentes. O aparato militar envolvido na ‘Operação Registro’ aponta para o uso de cerca de vinte mil homens das forças armada, helicópteros, caças e o bombardeio das áreas rurais com napalm. A perspectiva do II Exército, com sede em São Paulo, era reagir energicamente à tentativa da VRP (Vanguarda Revolucionária Popular) de implantar um modelo de guerrilha rural no país. Comandados por Carlos Lamarca, um dos mais combativos opositores do regime, 19 membros do centro de treinamento da VRP em Jacupiranga, cidade do Vale do Ribeira, se lançaram em luta pelas florestas da região, buscando romper o cerco das forças armadas. As narrativas históricas dos diversos combates, tocaias e fugas da guerrilha são dramáticas, drama que também atingiu camponeses, indígenas e quilombolas da região, considerados colaboradores e entusiastas da guerrilha. O saldo desse processo ainda pode ser percebido nos dias atuais, numa marginalização continuada dos povos tradicionais, no processo de grilagem de terras e no desrespeito aos direitos civis, condição que precisa ser transformada pela percepção do lugar e do histórico em sua contextualização, que essa compreensão permita a geração de sentido critico, habilitando e valorizando os povos tradicionais da Vale do Ribeira e resignificando seu lugar social, pois mudamos os homens, não o mundo. Dessa forma, o projeto: Indígenas, quilombolas e napalm: uma história da guerrilha do Vale do Ribeira, proposto pela Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal de Mato Grosso, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Estadual de Londrina e o Instituto Georg Ercket da Alemanha. Através do pesquisador Steffen Sammler, congrega pesquisadores na área de educação histórica, educação, história, história dos conflitos sociais e história dos livros didáticos, vem através de seus laboratórios de ensino, pesquisa e extensão, publicando e reconstituindo a história e a memória nacional, propondo a reflexão sobre o ensino de história e a formação da consciência histórica individual. Desejamos construir uma relação de ensino e aprendizagem da História em âmbito escolar e social, utilizando diferentes estratégias de constituição de sentido histórico, com o objetivo de produzir conhecimentos e atribuir novos sentidos a experiências de conflitos recentes na História brasileira em sua relação com a História da Humanidade.